Entrevista a Diogo Navarro
4 Novembro, 2017
 

Um autodidacta português entre artistas de todo o mundo na Cordoaria Nacional




Há tintas na paleta e cavaletes com grandes pinturas e colagens, a representar caminhos, "que podem significar a sobrevivência ou a passagem do tempo". Neste ambiente trabalha Diogo Navarro, pintor autodidacta, que em 2014 foi premiado na categoria de Inovação Arquitectónica, na 1ª edição portuguesa do Vera World Fine Art Festival, que se realiza de novo este ano, na Cordoaria Nacional, de 9 a 17 de Outubro, reunindo trabalhos de mais de 100 artistas de 25 países.

O projecto vem de Moscovo, onde Diogo esteve e foi também premiado em 2012, numa exposição com artistas de todo o mundo a dar a sua visão da "nova Rússia". A ligação ficou: "Hoje sou uma presença assídua na embaixada da Rússia. Há um orgulho mútuo. Por um lado, vi um país fantástico, com novas gerações à procura de novos caminhos, e dou essa percepção a quem me rodeia. Por outro, eles distinguiram-me, o que me deixou feliz."

O segredo do seu sucesso, diz, está em ter criado "uma linguagem universal", ao aliar abstracção e figuração: "Ir buscar oxigénio à figura, seja um barco, uma pessoa ou um caminho-de-ferro, para complementar o lado abstracto, é uma necessidade minha, mas de facto agrada às pessoas."

Tudo começou por brincadeira, quando Diogo – que estudou design e realidade virtual, não fez curso de Belas-Artes mas nasceu "com habilidade para o desenho" e tentou seguir os seus instintos, num "caminho fora dos cânones" – foi desafiado pelos amigos, numas férias em Moledo do Minho, a mostrar o seu trabalho: "Fiz uma exposição no clube de ténis. Muito inseguro, juntei temas diferentes, para ver, pelas reacções, o que funcionava melhor."

Tinha 18 anos e nunca mais parou. Dos primeiros desenhos, que, em miúdo, vendia aos tios e aos avós, passou às aguarelas e ao óleo. Depois fez um portefólio, que mostrou em galerias e até em hotéis: "Fui sempre nómada, nunca quis ficar preso. Agora estou pela primeira vez numa galeria, a ArtLounge, em Lisboa."

Sobre o Vera World Fine Art Festival, a que este ano levará três obras – uma delas com cinco metros de comprimentos –, diz que "é um evento abrangente e democrático, que tem de tudo, de cerâmica a pintura". E recomenda.

Revista SÁBADO